Foto: cortesia de Stuart Miles no FreeDigitalPhotos.net

A tecnologia e as novas maneiras de educar

Quando o assunto é tecnologia, atualmente, três grandes áreas têm dominado o mundo: inteligência artificial e deep learning; cyber segurança e produção de plataformas. E todas elas podem – e devem – ser implantadas nas escolas. Confira, a seguir, o que tem a dizer sobre o assunto Evandro Reis, professor de Empreendedorismo e Inovação na FIA/USP e especialista em tecnologias como computação na nuvem, mídias sociais, inteligência artificial, precision marketing e desenvolvimento de software.

– As mudanças na dinâmica de ensino fazem com que as pessoas sejam analisadas individualmente e, como a questão econômica não permite montar uma escola para cada aluno, a tecnologia faz isso para que eles possam aprender de maneira mais rápida, com produção de conteúdo em tempo real. Isso pode ser visto, por exemplo, no estudo de idiomas. Já estão disponíveis cursos de diversas línguas que geram gráficos comparativos da pronúncia de uma pessoa que está começando a aprender com a de uma nativa. Conforme o aluno vai falando, o quadro vai sendo ajustado e a curva da articulação subindo, ficando cada vez mais próxima a da nativa.

Evandro Reis, professor de Empreendedorismo e Inovação na FIA/USP

– Alguns alunos se dão bem estudando com vídeos, apenas vendo e ouvindo, outros não abrem mão de anotações e leituras em voz alta. Essas diferenças não são aleatórias. Mesmo sem saber, eles estão escolhendo métodos adequados à personalidade deles, com a melhor maneira de fixar conteúdos. Visual, auditivo e cinestésico são tipos de aprendizado.

– No Brasil, o academicismo deixa de lado a adaptabilidade “ensinar a aprender”. É muito mais inteligente e produtivo explicar a aplicação da álgebra linear somente se o aluno achar que aquilo é pertinente a ele e utilizar um método que o faça compreender como utilizar essa matéria na vida, entendendo o melhor preço para comprar uma bicicleta ou um apartamento, por exemplo.

– A profissão de quem está hoje no ensino fundamental ainda nem existe e é preciso se preparar para isso. A tecnologia vai permitir que o conteúdo se molde à pessoa, não o inverso. As escolas serão transformadas em grandes centros de encontro para debates, para troca de experiências e para utilização de uma estrutura e equipamentos modernos que não seria possível ter de forma individual.

– O que se aprende no ensino tradicional acaba sendo pouquíssimo aplicado na vida profissional. O corte “humanas, exatas e biológicas” só não acabou porque os retrógrados ainda sentam nas cadeiras do MEC. Os projetos atuais envolvem todas essas áreas juntas. Também não há necessidade de todo mundo estudar tudo. E assim o impacto da tecnologia aparece de novo, pois ela auxilia a pessoa a obter apenas o que quer.

– Uma memória infinita capaz de recuperar qualquer informação aprendida ao longo da vida já existe com o uso de inteligência artificial e deep learning. Robôs analisam dados pessoais e é possível tirar um número maior de conclusões conforme um maior número de dados é passado, fazendo correlação entre conteúdos. Quanto maior a experiência do ser humano, mais o sistema operacional se adapta a cada um. E novamente as ideias são conciliadas em tempo real.

 

 

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