Crianças e tecnologia: qual o limite?

*Por Doutor123 em colaboração com Silvana Elisabete Moreira

Há dez anos, a infância era sinônimo de brincadeiras como queimada, esconde-esconde, corda, amarelinha e ciranda. Hoje em dia, no entanto, elas cederam espaço à tecnologia, e é cada vez mais comum encontrar crianças utilizando celulares e tablets ao invés dos brinquedos habituais. Mas será que essa exposição precoce pode gerar danos futuros?

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A tecnologia pode ter um impacto muito positivo para a garotada, principalmente no aprendizado, se utilizada de forma adequada e sem excessos. Afinal, na internet é possível aprender um pouco de tudo, desde letras e números até um novo idioma, com aplicativos específicos para cada assunto e direcionado às diversas faixas etárias. Porém, os pequenos podem ter acesso a conteúdos impróprios, como vídeos e fotos que contenham algum tipo de violência. Sendo assim, além de controlar a permanência, os pais devem ficar atentos ao que é consumido.

O tempo ideal de interação com aparelhos eletrônicos varia de acordo com cada família e seus hábitos, mas deve ser definido observando o comportamento da criança. Um dos primeiros sintomas facilmente identificável é a perda de convívio social. O contato excessivo com a tecnologia pode ter sérias consequências, como não saber trabalhar em equipe, devido ao isolamento social causado pelo uso de celulares, e problemas ligados ao aparelho locomotor, pois a criança passa a maior parte do tempo sentada, justamente na época que seus corpos deveriam estar se desenvolvendo.

Silvana Elisabete Moreira, psicóloga (Foto: Divulgação)

Não deixe de lado as brincadeiras clássicas

Existem vários motivos pelos quais todos os filhotes mamíferos brincam: é dessa forma que descobrem como se comportar no mundo adulto. Com os pequenos não é diferente. Eles aprendem a utilizar todos as suas habilidades físicas e psíquicas nas brincadeiras e interações sociais presentes na infância. A imaturidade de uma criança que por diversos motivos – inclusive por insegurança dos pais –, é privada de convívio social é gritante, ela perde ou retarda a capacidade de perceber os jogos psíquicos que fazem parte da vida adulta, o que pode gerar inúmeras frustrações.

Ache o equilíbrio

Os pais devem priorizar o equilíbrio, sem proibição no uso de novas tecnologias e nem permitir que a infância seja roubada. Um truque poderoso é oferecer alternativas, como um fim de semana inesquecível, com brincadeiras ao ar livre, piquenique no parque, jogo de mímica em família, algo simples, mas que seja lembrado e que possa se tornar um hábito semanal ou mensal. Para que a garotada respeite as decisões dos pais de forma mais fácil, é necessário que os mesmos deem o exemplo. Proibição ou rigor em excesso fica sem sentido se eles utilizarem celulares e outros aparelhos sem discriminação, inclusive durante as refeições.

*Silvana Elisabete Moreira é psicóloga cadastrada na plataforma on-line de serviços de saúde Doutor123.

 

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