Imagem: Pixabay

Como será a educação do futuro

Como você imagina que será a educação do futuro? De acordo com uma pesquisa realizada há alguns anos pela organização World Innovation Summitt for Education (Wise), do Catar, ela será personalizada e híbrida, o que significa que acompanhará o ritmo e os interesses de cada aluno separadamente e contará com mais aulas online do que presenciais. Mas e no Brasil, o que podemos esperar? Para saber a resposta, conversamos com três professores com vasta experiência neste tema: José Moran, Samuel Mendonça e Calso Antunes. Confira abaixo a opinião de cada um deles.

Educação baseada em valores

José Moran (Foto: Divulgação)

“Há uma pressão enorme por mudanças na educação em todos os níveis. Essa pressão é benéfica para todos e acelerará o ritmo das transformações. Num mundo multicultural, permanentemente conectado e em profunda transformação, faz todo sentido a educação baseada em valores, desenvolvimento de competências e aprendizagem por projetos. As escolas deverão se transformar em centros de desenvolvimento de competências, abandonando definitivamente a postura de espaços de replicação de conhecimentos.  Os professores gradativamente se transformarão em designers educacionais. Os estudantes deverão desenvolver a capacidade de aprender autonomamente durante a vida escolar, de forma a serem capazes de continuar aprendendo ao longo da vida, em múltiplos espaços e de múltiplas formas.”

José Moran, professor e pesquisador de projetos transformadores na educação

Foco na capacidade de pensamento

Samuel Mendonça (Foto: Divulgação

“Penso que a educação do futuro será a educação que reivindicará algo muito básico e que tem sido desconsiderado hoje: a capacidade de pensamento. Mesmo no ensino superior a tarefa do pensamento não é o foco principal nos cursos, então, a educação formal tem se prestado para o desenvolvimento de habilidades e competências muito primárias para os desafios de hoje e do futuro. Enfim, as condições de trabalho têm sido alteradas, as pessoas têm uma maior expectativa de vida e, também por isto, a capacidade do pensamento (entendimento de sentenças, de leitura e interpretação de textos e de contextos, por meio da abstração e, principalmente, a capacidade de relacionar conteúdos) é urgente e será o grande desafio da educação do futuro. Com este panorama, o estudante terá condições de criticar o mundo em que vive e sua condição na escola e a sociedade. Será capaz, principalmente, de pensar o futuro da humanidade.”

Samuel Mendonça, professor titular e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica (PUC) Campinas, líder do grupo de Pesquisa Política e Fundamentos da Educação (CNPq/PUC Campinas) e membro do grupo de pesquisa Direito e Realidade Social (CNPq/PUC Campinas)

Mudanças nos meios de aprendizagem

Celso Antunes (Foto: Divulgação

“Eu acredito em substanciais mudanças quanto aos meios de se apresentar e de se levar o educando a reter o essencial nos conteúdos conceituais do que, atualmente, denominamos como ‘matéria’ escolar, mas não creio em mudanças estruturais mais profundas no processo do ‘aprender’, que é atualmente similar ao que ocorria mentalmente com nossos ancestrais. Em síntese, os primatas que nos antecederam não aprendiam coisas que atualmente apreendemos, mas sua ação mental no ato de reter e de guardar na memória permanece similar, quer seja sobre a concreta possibilidade aberta por viagens espaciais ou como sobreviver aos desafios de se viver em úmidas cavernas paleolíticas.”

Celso Antunes, educador, pesquisador e membro consultor da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar (IPA)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *